Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório de endocrinologia. Muitas vezes, a resposta é mais complexa do que parece.

Em primeiro lugar, é importante entender que a obesidade é uma doença crônica, recidivante e multifatorial. Diversos fatores podem influenciar o peso corporal, como genética, ambiente, sono, comportamento alimentar, medicamentos, condições de saúde e mecanismos neuroendócrinos que regulam a fome, a saciedade e o gasto energético.

Além disso, após a perda de peso, o próprio organismo pode aumentar a fome e reduzir o gasto energético. Essa adaptação biológica ajuda a explicar por que manter o emagrecimento pode ser difícil. Por esse motivo, o acompanhamento deve ser contínuo e individualizado.

A resistência à insulina impede o emagrecimento?

Nesse contexto, a resistência à insulina pode estar presente em pessoas com obesidade, principalmente quando existe maior acúmulo de gordura abdominal. No entanto, ela não explica, sozinha, toda dificuldade para emagrecer e não deve ser presumida apenas pelos sintomas ou por um resultado isolado de exame.

Para essa avaliação, o endocrinologista considera o contexto clínico de cada paciente, além do risco de pré-diabetes, diabetes e outras alterações metabólicas.

E a síndrome metabólica?

Já a síndrome metabólica corresponde ao conjunto de fatores de risco metabólicos, como aumento da circunferência abdominal, pressão arterial elevada, alterações da glicose, triglicerídeos altos e HDL baixo.

Além disso, sua identificação ajuda a estimar o risco cardiovascular e a orientar o tratamento de forma mais individualizada.

O que o endocrinologista avalia?

Durante a consulta, o endocrinologista pode avaliar:

– histórico do peso e tentativas anteriores de emagrecimento;
– qualidade do sono e prática de atividade física;
– medicamentos associados ao ganho de peso;
– circunferência abdominal, pressão arterial e exames metabólicos;
– sinais de doenças hormonais, quando houver indicação clínica.

Como é o tratamento?

Por fim, o tratamento da obesidade não é igual para todos. Dependendo da avaliação clínica, ele pode incluir mudanças sustentáveis de hábitos, acompanhamento multiprofissional, medicamentos e, em situações específicas, cirurgia bariátrica.

Em outras palavras, emagrecer é apenas uma parte do tratamento. O principal objetivo é promover saúde, reduzir riscos cardiovasculares e metabólicos e construir resultados que possam ser mantidos ao longo do tempo.

A obesidade é uma doença complexa e multifatorial. Para saber mais sobre o tema, consulte também o material educativo da Endocrine Society sobre obesidade.

A Endocrine Society também disponibiliza materiais científicos e educacionais atualizados sobre o manejo da obesidade e suas diferentes abordagens terapêuticas. Recursos sobre obesidade da Endocrine Society