A terapia hormonal na menopausa pode aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. No entanto, a mulher não deve iniciar o tratamento automaticamente quando atinge determinada idade ou deixa de menstruar.

A decisão depende dos sintomas, da fase da transição menopausal, das condições de saúde e dos objetivos do tratamento. Por isso, o médico precisa avaliar cada caso individualmente.

É preciso esperar a menstruação parar?

Não necessariamente.

Sintomas como ondas de calor, transpiração noturna e alterações do sono podem surgir durante a perimenopausa. Nessa fase, os ciclos menstruais ainda ocorrem, embora possam ficar irregulares.

Quando esses sintomas persistem ou interferem na qualidade de vida, o médico pode considerar a terapia hormonal mesmo antes da última menstruação. Antes disso, porém, ele precisa confirmar a indicação e avaliar os possíveis riscos.

Portanto, a mulher não precisa esperar que os sintomas se tornem intensos ou que a menopausa esteja definitivamente estabelecida para procurar orientação médica.

O que significa “janela de oportunidade”?

As diretrizes médicas utilizam a expressão “janela de oportunidade” para descrever o período em que a relação entre benefícios e riscos da terapia hormonal costuma ser mais favorável.

De modo geral, esse cenário inclui mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou que estejam nos primeiros dez anos após o início da menopausa.

No entanto, esse conceito não significa que todas as mulheres nessa faixa devam utilizar hormônios. Além disso, estar dentro da janela de oportunidade não autoriza automaticamente o início do tratamento.

O médico também precisa considerar:

  • a presença e a intensidade dos sintomas;
  • os fatores de risco cardiovascular;
  • o histórico pessoal e familiar;
  • os antecedentes de câncer;
  • a saúde óssea;
  • as contraindicações;
  • as preferências da paciente.

A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa recomenda que o médico, quando indicar a terapia hormonal, dê preferência ao início dentro dessa janela. Da mesma forma, a Menopause Society considera favorável a relação entre benefícios e riscos para a maioria das mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou até dez anos após a menopausa.

Quais são as principais indicações?

A terapia hormonal sistêmica representa o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e transpiração noturna.

Além disso, o tratamento reduz a perda óssea e o risco de fraturas durante o período de uso. O médico pode considerá-lo, portanto, quando a mulher apresenta uma indicação clínica reconhecida.

Entre as possíveis indicações estão:

  • ondas de calor e transpiração noturna que afetam a qualidade de vida;
  • alterações do sono relacionadas aos sintomas vasomotores;
  • síndrome geniturinária da menopausa;
  • prevenção da perda óssea em mulheres selecionadas;
  • insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce, quando não existem contraindicações.

Por outro lado, quando a mulher apresenta apenas secura vaginal, dor nas relações ou sintomas urinários associados à menopausa, tratamentos locais podem ser suficientes. Nesse caso, a estratégia difere daquela utilizada para sintomas que afetam todo o organismo.

O que o médico avalia antes do tratamento?

Primeiramente, o médico analisa os sintomas e o momento da transição menopausal. Em seguida, avalia as condições que podem modificar os benefícios e os riscos do tratamento.

Essa avaliação inclui:

  • idade e tempo desde o início da menopausa;
  • presença e intensidade dos sintomas;
  • pressão arterial e risco cardiovascular;
  • antecedentes de trombose, infarto ou acidente vascular cerebral;
  • histórico pessoal de câncer de mama ou de endométrio;
  • sangramento uterino sem causa esclarecida;
  • doenças hepáticas;
  • presença ou ausência do útero;
  • medicamentos em uso;
  • hábitos de vida.

Além disso, a presença do útero influencia a composição do tratamento. Mulheres que mantêm o útero geralmente precisam associar um progestagênio ao estrogênio sistêmico para proteger o endométrio.

O médico também individualiza a dose, a via de administração e o tipo de hormônio. Assim, mulheres diferentes podem receber esquemas terapêuticos distintos, mesmo quando apresentam sintomas semelhantes.

Quem pode não ser candidata à terapia hormonal?

Algumas condições podem contraindicar a terapia hormonal sistêmica ou exigir avaliação especializada.

Entre elas estão antecedentes de câncer de mama ou de endométrio, trombose, infarto, acidente vascular cerebral, doença hepática e sangramento uterino sem causa esclarecida.

No entanto, a existência de uma dessas condições não autoriza conclusões sem análise do contexto clínico. Por isso, a mulher deve discutir seu histórico com o médico antes de iniciar qualquer hormônio.

E quando a mulher tem mais de 60 anos?

Ter mais de 60 anos ou estar há mais de dez anos na pós-menopausa não representa uma proibição absoluta. Porém, o início mais tardio pode apresentar uma relação entre riscos e benefícios menos favorável.

Nessas situações, o médico precisa realizar uma avaliação particularmente cuidadosa. Além disso, ele deve considerar as condições clínicas, os sintomas, a dose e a via de administração.

A terapia hormonal também não tem indicação exclusiva para prevenir doença cardiovascular, demência, envelhecimento ou ganho de peso.

Por outro lado, mulheres que já utilizam o tratamento não precisam interrompê-lo automaticamente ao atingir determinada idade. O médico e a paciente devem reavaliar periodicamente a continuidade, levando em conta os sintomas, os benefícios e os riscos.

Existe um exame que determina a hora de começar?

Não existe um valor isolado de FSH, estradiol ou outro hormônio que determine automaticamente o início da terapia hormonal.

Na faixa etária habitual, o médico frequentemente identifica a transição menopausal por meio da história clínica e do padrão menstrual. Entretanto, ele pode solicitar exames quando os sintomas são atípicos, quando a idade foge do esperado ou quando precisa investigar outras causas para as alterações menstruais.

Portanto, a decisão não deve depender apenas de resultados laboratoriais.

Quando iniciar a terapia hormonal na menopausa?

A melhor hora para considerar a terapia hormonal ocorre quando a mulher apresenta sintomas ou outra indicação clínica e a avaliação individual demonstra uma relação favorável entre benefícios e riscos.

Para muitas mulheres saudáveis e sintomáticas, essa relação tende a ser mais favorável antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa.

Ainda assim, essa informação não torna o tratamento obrigatório. Da mesma forma, ela não substitui uma avaliação médica completa.

O que você precisa lembrar

A terapia hormonal não segue uma fórmula universal.

O médico precisa definir a indicação, a dose, a composição, a via de administração e a duração de acordo com as características de cada mulher. Além disso, deve reavaliar o tratamento ao longo do acompanhamento.

Em resumo, a decisão de iniciar a terapia hormonal na menopausa depende da presença de uma indicação clínica e da avaliação individual dos benefícios e riscos

Referências