A osteoporose é uma doença metabólica do osso caracterizada pela redução da resistência óssea, o que aumenta o risco de fraturas. Ela é frequente, principalmente após a menopausa e durante o envelhecimento. No entanto, a doença costuma evoluir de forma silenciosa durante muitos anos.
Uma das dúvidas mais comuns no consultório é: a osteoporose dói?
A resposta é não, na maioria dos casos.
Por que a osteoporose não costuma causar dor?
A osteoporose reduz, de forma gradual, a quantidade e a qualidade do tecido ósseo. Por esse motivo, os ossos se tornam mais frágeis ao longo do tempo. Entretanto, essa perda de resistência não costuma provocar dor.
Assim, muitas pessoas convivem com a doença sem perceber qualquer alteração. Consequentemente, o diagnóstico pode acontecer apenas após uma fratura.
Quando a dor pode aparecer?
A osteoporose não provoca dor diretamente. No entanto, as fraturas causadas pela fragilidade óssea podem provocar dor importante.
Por exemplo, fraturas nas vértebras frequentemente causam dor nas costas. Além disso, elas podem reduzir a estatura e alterar a postura. Fraturas do quadril e do punho também podem comprometer a mobilidade e reduzir a independência do paciente.
Por isso, identificar a osteoporose antes da primeira fratura representa um dos principais objetivos do acompanhamento médico.
Osteoporose e artrose são doenças diferentes?
Sim.
Embora os nomes sejam semelhantes, osteoporose e artrose (osteoartrite) não representam a mesma doença.
A osteoporose compromete a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas.
Por outro lado, a artrose afeta principalmente as articulações. Ela provoca desgaste da cartilagem e pode causar dor, rigidez e limitação dos movimentos.
Portanto, reconhecer essa diferença evita interpretações equivocadas sobre sintomas, exames e tratamento.
Qual é a importância do diagnóstico precoce?
O diagnóstico precoce permite identificar pessoas com maior risco de fraturas antes que elas aconteçam.
Dessa forma, o médico pode orientar medidas de prevenção, indicar tratamento quando necessário e acompanhar a evolução da saúde óssea.
Em resumo, a osteoporose geralmente não causa dor. Entretanto, ela aumenta o risco de fraturas e pode comprometer a qualidade de vida quando permanece sem diagnóstico.
Por isso, conhecer os fatores de risco e realizar avaliação médica quando houver indicação representam passos importantes para preservar a saúde dos ossos ao longo da vida.
Em muitos casos, a pessoa descobre a osteoporose durante uma avaliação indicada por seus fatores de risco ou somente depois de uma fratura por fragilidade. Quando a dor aparece, ela pode estar relacionada justamente a uma dessas fraturas, especialmente na coluna, no quadril ou no punho.
O que é osteoporose?
A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pela redução da resistência óssea, o que aumenta o risco de fraturas.
Quando há indicação clínica, a densitometria óssea é o principal exame utilizado para avaliar a densidade mineral óssea e auxiliar na estimativa do risco de fraturas.
Além disso, a interpretação dos resultados deve ser realizada em conjunto com a avaliação clínica de cada paciente.
Essa resistência não depende apenas da quantidade de mineral presente no osso. Ela também é influenciada por aspectos relacionados à estrutura e à qualidade do tecido ósseo. Com o avanço da doença, os ossos tornam-se mais suscetíveis a fraturas, inclusive após traumas de baixa intensidade, como uma queda da própria altura.
Por que a osteoporose costuma ser silenciosa?
A perda de massa e de resistência óssea ocorre gradualmente e, em geral, não produz sintomas perceptíveis.
Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, não é possível “sentir” o osso ficando mais frágil. A presença de dor no corpo, nas articulações ou nas costas não permite concluir, isoladamente, que exista osteoporose.
Da mesma forma, uma pessoa pode apresentar redução importante da resistência óssea sem sentir dor.
Quando a dor pode aparecer?
Na osteoporose, a dor pode surgir quando ocorre uma fratura.
As fraturas vertebrais merecem atenção especial. Algumas provocam dor súbita ou persistente nas costas, perda de altura e alterações da postura. Outras podem causar poucos sintomas ou até passar despercebidas, sendo identificadas posteriormente em exames de imagem.
Fraturas do quadril, do punho e de outros locais também podem estar associadas à fragilidade óssea, dependendo do contexto em que ocorreram.
Por isso, em uma pessoa com osteoporose e dor nas costas, não se deve atribuir automaticamente o sintoma à doença. É necessário avaliar a possibilidade de fratura e também outras causas de dor.
Qual é o papel da densitometria óssea?
A densitometria óssea por absorciometria de raios X de dupla energia, conhecida pela sigla DXA, é o principal exame utilizado para medir a densidade mineral óssea.
´Portanto, o resultado ajuda na avaliação da saúde óssea e do risco de fraturas, mas não deve ser interpretado isoladamente. Idade, histórico de fraturas, uso de determinados medicamentos, presença de doenças associadas à perda óssea e outros fatores clínicos também precisam ser considerados.
Além disso, a densitometria não deve ser solicitada indiscriminadamente. Sua indicação depende da idade e dos fatores de risco de cada pessoa.
Entre as situações que podem justificar a investigação estão:
- idade em que o rastreamento passa a ser recomendado;
- fratura por fragilidade prévia;
- uso prolongado de medicamentos associados à perda óssea;
- baixo peso corporal;
- menopausa associada a fatores de risco;
- doenças ou condições que possam comprometer a saúde dos ossos.
A necessidade do exame e o momento adequado para realizá-lo devem ser definidos individualmente.
O que é importante lembrar?
A osteoporose, na maioria das vezes, não causa dor.
Entretanto, justamente por evoluir de forma silenciosa, pode permanecer sem diagnóstico até que ocorra uma fratura.
Em resumo, conhecer os fatores de risco e realizar avaliação médica quando indicada são medidas importantes para preservar a saúde óssea, reduzir o risco de fraturas e promover um acompanhamento adequado ao longo da vida.
Referências científicas
- International Society for Clinical Densitometry. 2023 ISCD Official Positions — Adult.
- Endocrine Society. Osteoporosis — Patient Resource.
- Bone Health & Osteoporosis Foundation. Frequently Asked Questions e Evaluation of Bone Health/Bone Density Testing.
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individualizada.
Dra. Lilian Kanda
Mestre em Diabetes e Diabetes Gestacional pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, formada pela Universidade Estadual de Londrina, possui Título de Especialista pela SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e passagem pela Universidade de Kanazawa. Buscando constante atualização, há 10 anos é membro da ADA - American Diabetes Association onde anualmente participa da ADA Scientific Sessions além de diversos outros congressos nacionais e internacionais. Atendimento bilingue Português-Japonês.
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Dra. Lilian Kanda
Mestre em Diabetes e Diabetes Gestacional pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, formada pela Universidade Estadual de Londrina, possui Título de Especialista pela SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e passagem pela Universidade de Kanazawa. Membro do American Diabetes Association.