O diabetes é uma condição de saúde que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros — aproximadamente 10% da nossa população, pois, apesar de comum, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como a doença surge, contudo em quais são os sinais de alerta e, principalmente, como evitar complicações graves.

O que é o Diabetes e o Papel da Insulina?

Neste artigo, vamos desvendar os principais pontos sobre o diabetes, baseados na prática clínica e nas orientações mais recentes da endocrinologia.

Contudo, o diabetes é uma doença caracterizada pela dificuldade de ação da insulina ou pela deficiência total na sua produção.

Mas o que é a insulina? Ela é um hormônio produzido pelo pâncreas com uma função vital: quebrar as moléculas de glicose (açúcar) para que elas se transformem em energia para as células do nosso corpo. Quando esse processo falha, o nível de glicose no sangue sobe (hiperglicemia), o que pode causar danos em diversos órgãos.

Conheça os Diferentes Tipos de Diabetes

Contudo, não existe apenas um “tipo” de diabetes pois a classificação correta é fundamental para o tratamento:

  1. Diabetes Tipo 1: Representa de 5% a 10% dos casos. Ocorre quando há uma deficiência quase completa na produção de insulina. O tratamento exige o uso diário desse hormônio.
  2. Diabetes Tipo 2: É o tipo mais frequente, correspondendo a 90% dos casos. Está intimamente ligado ao histórico familiar, ao excesso de peso, à obesidade e ao envelhecimento. Aqui, o corpo cria uma resistência à ação da insulina.
  3. Diabetes Gestacional: Diagnosticado durante a gravidez.
  4. Outros Tipos: Relacionados a fatores genéticos específicos ou ao uso de certas medicações.

Fatores de Risco da Diabetes: Quem deve ficar atento?

Além da genética, alguns marcadores de saúde aumentam a probabilidade de desenvolver a doença:

  • Hipertensão arterial.
  • Doenças cardiovasculares prévias.
  • Triglicérides elevados (acima de 250 mg/dL).
  • HDL (colesterol bom) baixo (abaixo de 35 mg/dL).

Sintomas da Diabetes: Os famosos “Polis” e outros sinais

O diabetes pode ser silencioso no início, mas o corpo costuma dar sinais quando a glicose está muito alta. Em suma, os principais são:

  • Poliúria: Urinar em grandes volumes e com frequência.
  • Polidipsia: Sede excessiva e constante.
  • Polifagia: Fome exagerada, muitas vezes acompanhada de emagrecimento inexplicável.

Outros sintomas associados incluem:

  • Fraqueza e tonturas.
  • Visão turva ou embaçada.
  • Feridas que demoram a cicatrizar.
  • Infecções recorrentes (como candidíase de repetição).

Como é feito o diagnóstico da Diabetes?

Contudo para confirmar o diabetes, recorremos a exames laboratoriais. Os critérios principais são:

  • Glicemia de jejum: Acima de 126 mg/dL.
  • Hemoglobina Glicada (HbA1c): Acima de 6,5% (este exame mostra a média do açúcar no sangue nos últimos 3 meses).

Diabetes: as Complicações de uma Doença Mal Controlada

É importante salientar que as complicações geralmente surgem após 5 anos de uma doença mal controlada pois elas são divididas em:

  • Microvasculares (atingem pequenos vasos): Podem causar cegueira (retinopatia), insuficiência renal (podendo levar à hemodiálise ou transplante) e dores/formigamentos nos nervos (neuropatia).
  • Macrovasculares (atingem grandes vasos): Aumentam o risco de AVC (derrame), infarto do miocárdio e entupimento de artérias que podem levar à amputação de membros.

O Poder do Estilo de Vida: Dieta e Exercício

Em suma, a boa notícia é que o diabetes pode ser controlado e, em muitos casos (especialmente no Tipo 2), prevenido.

Perda de Peso e Exercício

Para quem tem sobrepeso ou obesidade, um emagrecimento de 5% a 10% do peso corporal já é capaz de controlar cerca de 95% das alterações metabólicas no início do tratamento. A recomendação de atividade física é de pelo menos 150 minutos por semana, distribuídos em vários dias.

Alimentação Inteligente

  • Evite Carboidratos de Absorção Rápida: Açúcar, refrigerantes, sorvetes e bebidas açucaradas.
  • Fuja dos Ultraprocessados: Alimentos industrializados com gorduras saturadas que entopem os vasos.
  • Aumente as Fibras: Consuma de 25g a 30g de fibras por dia (cereais integrais, legumes, verduras e frutas).
  • Proteínas e Gorduras Boas: Priorize o consumo adequado de proteínas e gorduras poli-insaturadas.

Lembre-se: A alimentação deve ser individualizada pois o que funciona para um paciente pode precisar de ajustes para outro, adaptando-se à realidade de cada um.

Gostou deste conteúdo? Se você apresenta algum desses sintomas ou possui fatores de risco, não deixe de procurar um especialista. O diagnóstico precoce é a melhor ferramenta para uma vida saudável.

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